Belo Horizonte, 16 de dezembro de 2018.
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Por Osmar José de Barros Ribeiro
Conversas de Rua
Nos dias sombrios que atravessamos, reles bandidos são alçados ao pedestal de heróis, e estes covardemente perseguidos.

É corrente dizer-se que a voz do povo é a voz de Deus. Tal voz nada tem a ver com pesquisas encomendadas e realizadas em locais escolhidos pelos interessados, em geral naqueles onde as benesses governamentais são mais sentidas. De mais a mais, tomada ao pé da letra, bem poderia significar que Ele já se cansou de olhar por nós. Para bem conhecer do problema, há que se buscar contato com pessoas as mais diversas e em quaisquer lugares, sem preocupação outra que não a de sentir seus pensamentos e inclinações. Assim, sendo crítico contumaz do atual governo, somente quero relatar dois contatos rápidos que tive em dias e locais diferentes. Fica assim, meridianamente claro, que não me propus a realizar uma pesquisa de opinião. Trata-se, tão somente, de exemplificar um sentimento que se vai alastrando, a pouco e pouco, entre aqueles que formam a chamada classe média. Mas vamos aos fatos.

A primeira conversa foi com um cidadão de ascendência japonesa, dono de uma floricultura onde trabalha toda a sua família, da sogra ao filho mais novo. Tendo eu comentado sobre o crescente preço das flores, tanto bastou ele para abrir a torneira do seu inconformismo com os governos havidos após a tão falada “democratização”. Disse-me, além da recorrente queixa sobre os elevados impostos, da corrupção galopante e do crescente custo de vida, que em 1964 era criança e, assim, cresceu ao longo dos governos militares. Elogiou a segurança que havia à época, a criação de uma vasta rede de estradas, até então inexistentes, e que hoje interligam, malgrado a falta de ma-nutenção adequada, o País à Capital Federal; a preocupação com os portos e com a geração de energia (referiu-se, de forma elogiosa, às grandes hidrelétricas e à utilização da energia nuclear); ao impulso dado à construção civil com o então BNH e, mais de uma vez, salientou que nenhum dos presidentes militares ou seus parentes haviam enriquecido durante os respectivos mandatos. Enfatizou, com evidente melancolia, que diferentemente do que acontece hoje, havia planejamento e dava-se cumprimento ao acertado. Como fecho de ouro afirmou que, no Japão, já está em teste o protótipo de um trem o qual, dentro de quinze anos, andará à velocidade de 500 km/hora. Enquanto isso, no Brasil, nem se fala em planejamento para os próximos cinco anos.

A segunda conversa deu-se na fila de dois caixas automáticos, um do Banco do Brasil (onde eu estava) e outro da Caixa Econômica Federal, no qual um rapaz procurava ajudar uma jovem que não conseguia fazer determinada operação. Obtido sucesso, retomou o seu lugar e, enquanto aguardava a sua vez, disse em alto e bom som: “eu não era nascido em 1964, mas pelo que ouço e vejo, no tempo dos militares tudo era melhor e diferente”. Aproveitando que estávamos lado a lado, embora em filas diferentes, perguntei sua idade. 32 anos, foi a resposta e acrescentou: “meus pais diziam que havia ordem, respeito, segurança e não esta bagunça que existe hoje, com violência, corrupção e impunidade”. O cidadão que estava à minha frente e fazia lá a operação desejada, terminou-a e, ao afastar-se sorrindo, falou a guisa de despedida: “é isso mesmo, bem que eles poderiam voltar”. 

Hoje, quando a nossa Pátria é um deserto onde vicejam os cactos do oportunismo, da inveja, da política mais rasteira, da corrupção, da desídia com os negócios públicos; hoje, quando um ex-presidente mercadeja seu prestígio em favor de grandes firmas de engenharia, tudo se faz para que os governos militares sejam lançados no esquecimento. Nos dias sombrios que atravessamos, reles bandidos são alçados ao pedestal de heróis e estes, covardemente perseguidos. Mas o tempo não para e, mais cedo ou mais tarde, todos conhecerão a verdade. E, quando esse dia chegar, talvez antes do que esperam os atuais governantes, será feita Justiça.

Osmar José de Barros Ribeiro
Coronel
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