Belo Horizonte, 16 de dezembro de 2018.
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Por A.C. Portinari Greggio
Verdades que ninguém tem coragem de encarar
Nenhum projeto para o Brasil dará certo enquanto continuarmos a ignorar a mais importante verdade a respeito do nosso povo.

No regime militar, entre 1966 e 1985, o PIB per capita crescia a taxa média acumulada superior a 8% ao ano.  A partir da “redemocratização” o Brasil nunca mais cresceu no mesmo ritmo. Nos últimos anos, o crescimento anual do PIB tende a ficar abaixo de 2%, e o País está a perder a corrida para o futuro.

No artigo anterior verificamos que a produtividade do trabalhador brasileiro, cada vez mais baixa relativamente aos nossos concorrentes, é um dos principais fatores desse atraso. Pelos critérios da OIT, o trabalhador americano produz por 5,1 brasileiros; o coreano, por 3,3 brasileiros; o chileno, 2,3, e assim por diante. 

A baixa produtividade não se deve exclusivamente à qualidade da mão de obra. Grau de avanço tecnológico e estado da infraestrutura também influem. Mas embora o Brasil tenha deficiências nesses dois fatores, sua correção – se fosse possível em todos os casos – não garantiria automaticamente melhora proporcional na produtividade. Há outro impedimento, que limita e retarda o nosso progresso em todos os demais campos: o baixo nível de inteligência média da população, em comparação com países mais desenvolvidos.

Os testes de QI são vistos com desconfiança pelos políticos, intelectuais, educadores, jornalistas, religiosos, economistas… já chega? No Brasil, embora alguns psicólogos defendam a sua utilização, não há nenhum entusiasmo nessa área de pesquisas. Os estudos sérios so-bre a inteligência do povo brasileiro são poucos, esparsos, e precários.

Por quê? Porque esses testes, aplicados de modo amplo e sistemático, certamente implodiriam os principais mitos em torno dos quais se constrói toda a ideologia dominante no Brasil – e em quase todo o decadente mundo ocidental. Pois são exatamente esses mitos a causa dessa decadência.

A aplicação de testes psicométricos no Brasil é regulada pela Resolução no 2/2003 do Conselho Federal de Psicologia que, no seus artigos 1o, e 20-A, B e C, estabelece restrições e diretrizes de viés politicamente correto, cujo efeito é censurar e banir qualquer possibilidade de resultado que desagrade o establishment. 

Enquanto essa situação perdurar, se-rá proibido discutir, neste País, o problema fundamental, a mãe de todos os problemas, causa de quase todos os nossos males políticos, sociais e econômicos, cuja protelação condenará o Brasil a atrasar-se cada vez mais, até regredir ao estágio colonial. 

Quem achar que é exagero, examine as nossas relações comerciais com a China – país que encarou de frente e resolveu o problema da degeneração do seu povo, adotando política oposta à do Brasil. Cada vez mais o Brasil se converte, em relação à China, em importador de produtos industriais e fornecedor dependente de matérias primas. Não é essa a definição de colônia?

Passo a palavra aos Professores Ri-chard Lynn e Tatu Vanhanen, na introdução do seu célebre e discutido IQ and the Wealth of Nations: O problema de determinar por que algumas nações são ricas, e outras, pobres, tem ocupado estudiosos [desde a época de Mon-tesquieu]. Foi discutido por economistas, sociólogos, psicólogos, cientistas políticos e historiadores. Propuseram-se numerosas teorias, as quais atribuem essa desigualdade a fatores climáticos, psicológicos, geográficos, culturais, sociais, políticos e institucionais. Mas nenhum consenso se estabeleceu.

Propomos a hipótese de que a inteligência das populações tem sido o principal fator das diferenças em desenvolvimento econômico e renda per capita entre países ricos e pobres. Pelo que sabemos, essa teoria nunca foi aventada anteriormente. Até agora, as teorias que tentaram explicar a distância entre países ricos e pobres partem da presunção de que todos os povos têm as mesmas habilidades mentais. Essa igualdade, aliás, nem sequer é mencionada, porque sequer passa pelas cabeças a ideia de que possa haver desníveis de inteligência entre diferentes povos. (…) Nós, ao contrário, afirmamos que essas teorias são erradas, e queremos mostrar que existem grandes diferenças entre diferentes nações, as quais sistematicamente correspondem a diferentes níveis de desenvolvimento, e de fato são a causa desses desníveis.

Para que se fale em diferenças de inteligência entre povos, é preciso aceitar o fato das diferenças de inteligência entre indivíduos. 

Mas a doutrina chapa-branca vigente no Brasil e no Ocidente se recusa a aceitar esse fato. Tudo pode ser diferente: cor da pele, cabelos, altura, tipo físico, voz, saúde, tudo, exceto inteligência. Por quê? Ninguém explica. É tabu. Quem menciona o assunto é olhado com suspeita; e se insistir, corre sério risco de ser moralmente linchado.

Por que tanto horror em admitir o mais óbvio e corriqueiro dos fatos?

Trataremos disso no próximo artigo.

A.C. Portinari Greggio
Economista


NR: O autor viveu e trabalhou no Oriente Médio de 1977 a 1985. Foi diretor e é membro do Conselho Superior da Câmara de Comércio Arabe-Brasileira. Publicou, entre 1979 e 1994, periódicos informativos sobre o Mundo Árabe, e é autor de numerosos estudos sobre a região.
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