Belo Horizonte, 17 de outubro de 2019.
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Por José Edgar Wieczorek
Banalidades...
A corrupção, a impunidade, a falta de ética, a criminalidade, os desmandos e a incompetência administrativa governamental, já se tornaram banais para a sociedade brasileira

Tudo que é excessivamente repetido tende a banalizar-se e deixar de causar impacto emocional nas massas. –Desde eventos esportivos até a renúncia do Papa, passando por sexo explícito na TV até as falcatruas políticas, nada mais impressiona muito porque tudo virou banalidade. –Só que as tragédias que mutilam e magoam famílias multiplicam-se em alta velocidade, qual vírus Ebola, destruindo vidas e marcando-as pelo sofrimento, para todo o sempre, e, parece que somente quando isso acontece é que os atingidos dão-se conta, via sofrimento na carne, que a banalização com que a maioria encara a criminalidade somente é banal enquanto atinge apenas aos outros.

A tragédia de Santa Maria impactou tanto porque foi um cenário surpreendente que fugiu ao habitual. –Impossível não chorar e revoltar-se diante da violenta morte que poderia ter sido evitada de tantos jovens. –Mas, por que será que o povo brasileiro não chora nem se revolta, por exemplo:

l Diante de milhares de assassinatos?

l Diante de outros milhares de mortes no trânsito?

l Diante de tantos milhares de viciados abandonados nas ruas?

l Diante de milhões de doentes aguardando nas filas por uma consulta e que, depois, muitos deles aguardarão até a morte por uma vaga nos hospitais?

l Diante de Forças Armadas omissas?

l Diante de um Sistema Educacional propositadamente retrógrado e sucateado?

l Diante de um Estado incompetente e venal na administração da coisa pública?

l Diante da obviedade de que o próprio Povo brasileiro é inconsciente a respeito do medíocre e apodrecido sistema político vigente no país?

Haveria tanto mais a mencionar para ilustrar a banalidade que reveste as tragédias que se abatem sobre o Brasil que este espaço seria insuficiente, mas, de que adiantaria mostrar mais evidências se a maioria dos cidadãos e cidadãs brasileiras é capaz de se emocionar diante do choro da “presidenta” em Santa Maria, mas, não é capaz de manifestar-se e mobilizar-se para cobrar dela ações efetivas que levem o Brasil a ser melhor administrado, o que significaria governar em favor do Povo, e, diante desse impasse, de novo, de que adiantaria cobrar isso dela ou de qualquer outro político aboletado no poder se, de antemão, já se sabe que a opção de governar em favor do Povo, desde há muito tempo, passou a ser um anacronismo no ambiente político brasileiro?

Já perdi a fé em homens públicos porque faz tempo que nos tornamos incapazes de gerar líderes políticos e verdadeiros estadistas.

Esperança é algo que não quero perder, mas, noto que, a cada dia, está mais difícil mantê-la diante da banalidade que envolve a carnificina diária resultante da INsegurança Pública, e, da inconsciência de nosso Povo frente à podridão política que nos cerca. –Parece que todos nós acabaremos nos acostumando com o mau cheiro.

José Edgar Wieczorek
Corretor / Porto Alegre
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