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Enterro dos Ossos

Leandro Mazzini - Esplanada - Política e Poder  (Jornal de Brasília – 19/01/13)
 

A Comissão da Verdade e a Comissão de Mortos e Desaparecidos da Secretaria de Direitos Humanos estão consternadas com as ossadas de duas crianças entre as de ex-guerrilheiros e sob a tutela do Governo em Brasília. Miram uma ex-guerrilheira e o filho de um ex-militante. Para as autoridades, a comunista Criméia Almeida incluiu as duas ossadas na expedição de 2001 a Xambioá, no Araguaia (TO). Na mesma expedição Paulo Fonteles Filho pegou numa igreja ossos de um adolescente e os levou numa mala.

 

Sigilo quebrado

Agora, o governo – que tentou manter segredo – prepara a devolução das ossadas com dois problemas: não sabe quem são, nem como enterrar.


Investigação

A Secretaria de Direitos Humanos vai pedir à AGU e à Justiça Federal autorização para traslado dos ossos e enterro em Xambioá. Mas o mistério da identidade continua.

 

Defunto errado

Fonteles é alvo do PCdoB, que bancou sua campanha para vereador em Belém. É que “seu morto” era um jovem falecido em 1990. Procurado por telefone, não retornou.

 

A sós

Sem coincidência: A presidente Dilma recebeu há dias o presidente da Comissão da Verdade, Claudio Fonteles. A reunião continua um mistério.


Mesmo Drama

Criméia foi presa grávida de sete meses em São Paulo. Ao saber, a esposa do general Antonio Bandeira, conhecido nome da repressão, a protegeu. Eles a livraram da prisão, deram assistência até ela ter o filho e os entregaram em BH. O rebento era filho de um outro general (grifo do site) Através da SDH a coluna tentou contato com ela, sem sucesso.

 

Comentário da editoria do site www.averdadesufocada.com:

O “pai do rebento” a quem o jornalista Leandro Mazzini se refere , como o “outro general” - era, na realidade, André Grabois , filho do o chefão da Guerrilha - Maurício Grabois - , o comandante militar dos guerrilheiros no Araguaia.

 

Mas vamos À história:

Criméia Alice Schimidt, sua irmã Maria Amélia de Almeida Teles e seu cunhado César Augusto Teles, foram presos em São Paulo, no final de dezembro de 1972, na gráfica do PCdo B. Maria Amélia era a responsável pela gráfica.

Criméia fora retirada da área de guerrilha, no Araguaia, porque estava grávida de André Grabois, que permaneceu na área de guerrilha.

Por suas implicações na Área de Guerrilha, Criméia foi transferida para Brasília.

Ao chegar em Brasília,  ficou  somente um dia presa no DOI, porque D. Léa Bandeira, esposa do General Antonio Bandeira, comandante   da Brigada de Infantaria, em Brasília, pediu ao seu marido que retirasse a moça grávida do DOI/Brasília.

O general atendeu ao pedido de sua esposa e Criméia foi internada no Hospital Militar de Brasília, onde teve seu filho. Ao nascer, o Exército comprou no comércio da capital federal, todo o enxoval da criança. O bebê foi batizado pelo capelão militar, tendo como padrinhos parentes de Criméia.

. Mais tarde foram levados, em um automóvel do Exército, para Belo Horizonte, onde seus parentes residiam.

Apesar de todo este tratamento que lhe foi dispensado, Criméia disse no programa Domingo Espetacular, de Paulo Henrique Amorim , da TV Record, que no dia que seu filho nasceu ela estava presa, jogada numa cela do DOI, e que quando a bolsa arrebentou as baratas subiam pelas suas pernas e que, depois do nascimento, era proibida de amamentar a criança, que ficou desnutrida.

Afirmou também, na mesma entrevista, que fora horrivelmente torturada não só em Brasilia, como em São Paulo. Aliás, Criméia endossou as acusações de maus tratos no processo em que ela, sua irmã e seu cunhado movem contra Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do  DOI em São Paulo na época de sua prisão. 

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