Belo Horizonte, 16 de dezembro de 2018.
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Por Valmir Fonseca Azevedo Pereira
O insuportável ignóbil da silva

Incomparável para muitos, abominável para outros, o ignóbil nasceu predestinado a tornar - se um emérito mandrião.

Emergiu no palco sem um dos dedos da mão, e para compensar a medonha deficiência física esmerou - se em explorar ao máximo seus outros atributos, desde um ego desvairado, ao cinismo na sua expressão máxima.

Ao contrário dos demais ou da maioria, beneficiou - se com a falta de escrúpulos e sem a chamada consciência, que volta - e - meia aporrinha muita gente.

Assim, liberto de uma série de amarras, que inibem as maiores e menores patifarias e seus diligentes patifes, o melífluo farsante seguiu em frente.

E foi longe.

Nascido entre uma gentalha famosa por ser jeitosa ao extremo, o seu maneiro habito de não apegar-se a nenhum princípio, em particular daqueles que deveriam forjar o caráter do ser humano, pode travestir - se de qualquer coisa, e se num dia era contra, no outro era a favor, e vice - versa, conforme seus interesses. Uma metamorfose, e o pior, ambulante.

E o povaréu admirado, aplaudia.

“É o cara, é o nosso retrato, é tudo o que eu queria ser”, bradou um fã exaltado e invejoso.

Ignóbil, no início agradecia aos céus por tanta benevolência, depois, mais ufanista de si mesmo, apenas se olhava no espelho e dizia, “mas eu sou bom mesmo”.

Assim, sem freios, como qualquer malandro gostaria de ser, descobriu o Brasil, nada fez, nada construiu, contudo foi o que mais gastou, mais inaugurou, mais anunciou, e mais viajou.

Ao longo do tempo, aprimorou - se, agigantou – se, endeusou – se, e subiu num altíssimo pedestal.

Acima de todos, submeteu vassalos, amealhou criadagem, fez fortuna, cooptou adversos, criou cátedra, fabricou dirigentes e elegeu - se a estátua de si mesmo, e como tal, ao passar esperava o devido respeito de seus súditos.

Criava – se, assim, o ícone da bandalha.

Espantosamente, cresceu nas promessas não cumpridas, nos discursos insossos, nas mentiras deslavadas, nas contradições do dito no dia anterior, hipnotizando platéias com sua estrondosa capacidade de acusar inocentes, de elogiar canalhas, de atropelar as leis e de protagonizar atitudes e gestos cafajestes sem o menor pudor.

De fato, colocou - se acima de regras, de princípios e seu despudor foi tamanho que embevecidos pretenderam santificá-lo. Antes, foi abonado como Doutor Honoris Causa por diversas entidades. Um espanto.

Mas eis que de repente, ele saiu de moda, ficou repetitivo. Chegara ao fim seus momentos de gloriosa impunidade?

E começou a desmilinguir - se.

O abjeto perdera o seu charme, esvaíra o seu dom de enganar, de inventar, de prometer. Nos palanques, um vazio. Nem pagando audiência.

E o circo começou a desmoronar, e surgiram estridentes vozes de revolta, de insatisfação, e levantada a tampa da panela, de seu interior o cheiro fétido de corrupções e de enganações.

Revela - se que o pobre ignóbil de há muito era um dos mais ricos homens do Brasil, e olha que esmerou - se em distribuir esmolas e bolsas, mas triste realidade, com o dinheiro dos outros, enquanto, paralelamente, enchia o seu pé de meia.

O sussurro de “o rei está nu”, encaixou - se como uma luva no velhaco, e parece que vai se espalhando pelos rincões desta terra, e alguns esperam que o tímido murmúrio se transforme num grito uníssono: “o farsante está nu”.

Infelizmente, o Brasil não está mudando, apenas cansou – se das mesmas baboseiras vomitadas à exaustão e pelo seu ridículo desempenho no repetitivo papel de “o maior brasileiro de todos os tempos”.

Mas, oxalá, a indigesta mídia que divulga que o Julgamento do Mensalão não afetará as próximas eleições, não promova a volta do “mala sem alça” para a desgraça da Nação. 

Valmir Fonseca Azevedo Pereira
General da Brigada
Presidente do Ternuma
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