Belo Horizonte, 18 de janeiro de 2019.
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Por Cláudio Mafra
Que é que mantém o Exército Brasileiro calado e não reativo ante o horror criado pela canalha?

Por que nossos jornais não dizem uma palavra, coisa alguma, sobre o que pensam os militares brasileiros a respeito do governo ? Por que insistem em desconhecer a importância da matéria? Escrevem metendo o pau no PT, escrevem sobre o Judiciário, sobre o Congresso desmoralizado, sobre os novos escândalos, e haja papel para notícias sobre os personagens mais chatos e desclassificados de nossa vida pública. Quanto aos milicos, eles estão bem enquadrados em seus deveres constitucionais, é o máximo que podemos saber.

Eu, por exemplo, gostaría muitíssimo de ser informado de que maneira os militares DA ATIVA estão digerindo o PT, que óbviamente os odeia e segue tentando reavivar o processo de desmoralização a que estavam submetidos desde quando o golpe de 64 deixou de ter o apoio da população. Para este objetivo serve maravilhosamente a Comissão da Verdade.

A resposta para o mutismo de nossos jornalistas, articulistas e intelectuais é porque em sua imensa maioria são de esquerda, e por consequência têm profunda aversão às Forças Armadas. Podem até ser da esquerda light, tipo Fernando Henrique e Serra, o que não muda nada: estes também acham excelente que os militares estejam no ostracismo. Portanto, preferem acreditar que eles não existem - puxa, até que enfim desapareceram do mapa – MESMO quando as Forças Armadas são a instituição na qual o povo mais confia - 72%, seguidos muito abaixo pela Igreja Católica com 58%, conforme pesquisa da Fundação Getúlio Vargas em 23/02/ 2012. É espantoso que os números da FGV não tenham sido analisados. Reconhecer que os militares voltaram a ser populares, eas importantes consequências do fato, causaria desestruturação psíquica nessa gente. Estamos diante da Síndrome do golpe militar de 1964 .

Sabemos que os militares da ativa são proibidos de se manifestar sobre assuntos políticos. No entanto, se for guardado o anonimato até que é possivel algum reporter estabelecer contato. Afinal, eles são uma ótima matéria, já que vivem uma dificílima situação moral: Muito daquilo que combateram no passado está de volta com o PT. Como se não bastasse, estão sendo diretamente atacados pelos petistas. É o que se passa com a Comissão da Verdade e sua ilegalidade moral. Uma esperteza safada, que contraria de maneira clara a anistia para os dois lados, e onde os militares estão sendo insultados no que têm de mais caro: o patriotismo e a honra. O interessante é que o momento em que eles mais se encolhem é justamente quando se tem certeza de que sua impopularidade já ficou para trás.

Não me lembro qual foi a solenidade no Palácio do Planalto onde se pode ver a foto dos comandantes militares. Estão constrangidos, humilhados, com um olhar de quem não suporta o espetáculo. Certamente estavam ouvindo discursos apologéticos da corja petista, eufórica por estar pela terceira vez seguida no poder. Em sua expressão corporal percebemos que dariam tudo para estar em outro lugar, qualquer lugar. Sabemos, - embora não apareça na foto -que estão sentados diante da semi-analfabeta a quem devem obediência e que, da mesma maneira que todos os antigos guerrilheiros, sente orgulho por haver tentado levar os brasileiros para o sofrimento do inferno comunista. Além do mais, a corrupção é a mais deslavada de todos os tempos, aberta, escancarada, monstruosa. Desta forma, tudo que aprenderam a respeito da intervenção dos antigos generais em 1964 fica desmoralizado. Deve ser duro não corresponder à expectativa na qual foram criados. Impossivel racionalizar, na tentativa de enganar a si mesmos, porque de madrugada, em suas camas, devem se sentir muito, muito pequenos.

Tenho conhecimento da insatisfação, da revolta dos que se encontram na reserva. Acham que seus comandantes são desfibrados, que engolem todos os desaforos, que não lutam por melhores salários para a classe, que são carreiristas, e assim por diante. Muitos deles estão no limite de pregar abertamente o rompimento da ordem institucional.

Agora sou obrigado a me repetir: Os militares sempre fizeram intervenções no processo político brasileiro, e em quase todas elas foram bem sucedidos. É muito improvável que possa ocorrer novamente, mas nada é impossivel. O PT, como já foi dito em inúmeros outros artigos do blog, está dando chance ao azar. Já deveria ter aumentado os soldos, já deveria ter reequipado as Forças Armadas e já deveria haver colocado na prática o disposto na Portaria 2014, de 08/07/2011, que muda o curriculum e os professores nas três Escolas Militares. Em suma, estão demorando muito para tomar as providências que transformaria nossos militares em braço armado do Partido.

Por último, sou obrigado a me repetir mais uma vez. Vamos imaginar o seguinte cenário: Os militantes petistas resolvem cercar o prédio do Supremo Tribunal Federal, indignados com o indiciamento de Lula no episódio do Mensalão, e com a condenação de Zé Dirceu e outros. Conclamam seus companheiros em todo o Brasil a participarem de demonstrações contra “a ditadura das elites”. No Congresso, deputados e senadores dão apoio ao ex-presidente e, através de votação em plenário, desautorizam o Supremo. O presidente da Câmara não aceita a cassação dos mandatos dos condenados. Trabalhadores, MST, ONGs, deslocam-se para Brasilia e a pressão sobre os juízes-ministros aumenta. Governadores e prefeitos petistas também se pronunciam e colocam seus estados e municípios ao lado dos manifestantes. A Oposição, confusa, medrosa, desorganizada, não sabe o que fazer. Os jornais condenam tudo que está acontecendo, e são veladamente ameaçados de serem empastelados. Os manifestantes conseguem expulsar os ministros do prédio. A presidente, que se mantinha distante dos acontecimentos, afirma que o povo julgou e absolveu os indiciados. Em seguida, apela para que os ministros retornem, ou terá que nomear outros para que a República continue funcionando.

Por quê esse cenário, com toda probabilidade, é impossivel? Porque existe o Exército. Teríamos chegado ao ponto de inflexão, à situação-limite para os militares. O PT sabe muito bem disso e teme os generais, que ainda são a única barreira que nos separa de um Estado parecido com a Venezuela, Nicarágua, Bolívia. O que desconhecemos é até quando vai ser assim.

 

Reflexões Radicais

Palavras-chaves: exército, brasileiro, horror, PT, comissão verdade, golpe, militar
Cláudio Mafra
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