Belo Horizonte, 18 de janeiro de 2019.
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Por Osmar José de Barros Ribeiro
Redescobrindo o caminho do brejo
Governos sul-americanos nossos vizinhos, em meio a medidas estatizantes e populistas, logo se deram conta de que podiam fazer com que a economia de seus países se tornasse um manancial de recursos para seus partidos e para os bolsos de dirigentes.

Não resta a menor dúvida quanto ao fato de que, muito embora nosso potencial de crescimento, o Brasil não consegue transformá-lo em poder. Quanto às causas das distorções elas são várias e podem ser encontradas, com alguma facilidade, ao longo de toda a nossa História. Contudo, nunca como hoje, assistiu-se ao maremoto da corrupção sem peias, engolfando pessoas físicas, órgãos do Estado, partidos políticos, além de grandes e pequenas firmas, num estranho conúbio do qual somos nós, meros pagadores de impostos, os reais prejudicados, as vítimas preferenciais. 

Dentro do projeto do Foro de São Paulo de criar a União das Repúblicas Socialistas Latino-Americanas (URSAL), fruto de espúria aliança entre o Partido Comunista de Cuba (PCU) e o Partido dos Trabalhadores (PT), eis que, qual erva daninha, governos esquerdizantes surgiram entre povos que nunca tiveram a oportunidade de crescer pela educação e pela livre iniciativa, sempre vendo no Estado a solução dos seus problemas. Ao aprisco esquerdista recolheram-se a Venezuela, o Equador, a Bolívia e, pasmem, a Argentina e o Brasil, além do Uruguai. Tais governos, em meio a medidas estatizantes e populistas, logo se deram conta de que podiam fazer com que a economia dos países se tornasse um manancial de recursos para seus partidos e para os bolsos dos dirigentes. 

Não foi diferente no Brasil. Antigos sindicalistas viram-se guindados a posições de mando e, como soe acontecer, logo meteram os pés pelas mãos. Não por acaso, hoje assistimos ao in-conformismo do Partido dos Trabalhadores com a condenação de antigos dirigentes por crimes diversos e que foram cometidos tendo, como principal objetivo, sua permanência no poder por tempo indefinido. Caracterizando o afirmado, o que vemos? O senhor Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, num claro exemplo de partidarização do mais alto escalão do Executivo, conclamar a militância petista às ruas, em defesa do projeto petista e o ex-ministro da Justiça, o renomado criminalista Marcio Tomaz Bastos, em matéria publicada na imprensa dos grandes centros, lançar dúvidas quanto à correção do Supremo Tribunal Federal no julgamento do “mensalão”, pois aquele Tribunal teria agido sob a pressão das elites e da imprensa não engajada.

Já surge então, entre os petistas, o que poderia ser chamado de síndrome de Robin Hood. Em outras palavras: furtar, desviar dinheiro público para os cofres partidários e, com ele, inclusive, pagar despesas pessoais de companheiros do alto escalão, além comprar votos de parlamentares da tal “base aliada”, não é crime. Talvez seja apenas um “malfeito”, atual neologismo para a corrupção deslavada.  Entre outros, vale recordar casos tais como o de Waldomiro Diniz, assessor de José Dirceu, então chefe da Casa Civil, pedindo propina ao hoje conhecido Carlinhos Cachoeira; o escândalo do “mensalão”; as travessuras de Erenice Guerra, funcionária de confiança da atual presidente da República e, para entornar o caldo de vez, o inquérito policial envolvendo pessoa da intimidade do ex-presidente Lula. A listagem é grande e, tudo indica, não vai acabar tão cedo.

Eis que chegamos ao ano de 2013. O dragão da inflação acordou, livrou-se das amarras que o prendiam e já ameaça tornar-se forte o bastante para anular os esforços governamentais para detê-lo. Nosso PIB ficou, em 2012, em míseros 1% contra os 4,5% sonhados pelo governo petista. Os esforços do Executivo, voltados para aumentar o consumo, malgrado a propaganda que vem sendo feita, revelam-se inócuos.  

O que nos espera? Mais do mesmo? Não sei, não tenho bola de cristal.  Pelo andar da carruagem, estamos redescobrindo o caminho do brejo.  

Palavras-chaves: brejo, sul, americanos, economia
Osmar José de Barros Ribeiro
Coronel
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