Belo Horizonte, 18 de janeiro de 2019.
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Por Aileda de Mattos Oliveira
Os pontos da Presidente
Lágrimas políticas, convenientes, tirando dividendos de terrível tragédia, representando solidariedade para um Brasil facilmente ludibriável.

Não, o título do artigo não se refere a algum acidente ocorrido com a senhora em questão que precisasse alinhavar algum malfeito da fatalidade no seu corpo circular. Nem tampouco me refiro a algum vestígio da última plástica, naturalmente paga com o rico dinheirinho do pobre contribuinte. Refiro-me ao repentino surto de solidariedade, de compaixão, que a fez deixar os ares chilenos, durante a reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e União Europeia e pousar em Santa Maria (RS), onde ocorrera uma tragédia de grandes proporções.

Sem nenhum traquejo político, com uma visão estreita do que seja o Executivo, e assinando acordos nesta Comunidade de raposas que, certamente, irão prejudicar a nação brasileira, conforme as características de lesa-pátria que lhe é peculiar, leva-nos à suposição de que tenha havido a interferência do Grão Mestre, que de fora da área lhe passou a bola. A sua presença frente às câmeras nacionais era indispensável para atingir, emocionalmente, os telespectadores, já com o coração apertado de ver a falta de responsabilidade dos donos da noite e da fiscalização governamental, resultando em tamanha perda de vidas.

Era necessário tirar dividendos do fato e nada mais corriqueiro, mas que ainda agrada aos ingênuos da tal “sociedade civil”, que acariciar o rosto de um guri, lourinho, portanto, sem direito à cota. Isso foi mostrado em todas as mídias internacionais, retransmitidas por um canal brasileiro. Pontos para a presidente!

Mas não para aí a demonstração de sua sensibilidade como chefete de nação. Não é a dureza do cargo, até há pouco ocupado somente pelo sexo oposto (nada de “gênero” oposto), que a impediria de deixar escorrer sobre a maquilagem tipicamente burguesa as lágrimas produzidas com o selo ‘2014’. Mais pontos para a afilhada do homem!

Assim, de gentileza forçada em forçada gentileza, a senhora presidente vai engordando os dados de sua popularidade, contabilizados pelos institutos de avaliação. Muitos outros pontos para ela!

Sem nenhuma outra intenção que não a felina e persistente curiosidade, esta sempre fiel defensora das cores brasileiras gostaria de saber se, em outros tempos, brotavam-lhe aos olhos, tão facilmente, outras lágrimas para outras vítimas, igualmente destroçadas, em aeroporto explodido ou em porta de quartel. Não consta que isso tenha acontecido, pois não há registro dessa magnanimidade de espírito na sua história de vida. Isso vem provar que, enquanto os anos vão passando, vai procurando remediar o irremediável, com outro tipo de comportamento, como uma tentativa de apagamento da memória de um passado desastroso, mas que permanece muito presente, e bem vivo, na memória de outros que tiveram que travar a sua sanha e a de seus companheiros em benefício da coletividade.

Se a cena foi mera imitação do ato de Barack Obama, que largou a disputa eleitoral para manter-se próximo à população atingida pelo furacão Sandy, em 2012, continuará ganhando pontos pela representação perfeita do também político e escorregadio presidente americano.

Como não acredito em recuperação dos intoxicados por qualquer uma das linhas da doutrina que idolatra a destruição de todo o patrimônio histórico-cultural, construído ao longo da lenta e sabotada evolução do país, a cena teatral desta senhora é merecedora de entusiásticos aplausos, por fazer crer aos tolos que, de protagonista empedernida de uma fase negra do Estado Brasileiro, virou musa santarrona do ano que mal começa a dar os passos.

Assim, é o Brasil Solidário, o Brasil Coitadinho, o Brasil Carinhoso, facilmente escarnecível, facilmente ludibriável, por quem esconde a cauda de serpe, engole a peçonha e dela se autoabastece para torná-la combustível da desagregação interna que facilitará, ainda mais, a penetração de corpos estranhos, com estranhas pedagogias, as mesmas que estão transformando os ‘espertos’ indígenas em palhaços manipuláveis dos dirigentes europeus.

Será que são apenas pontos em popularidade que ela ganha? Muito pouco para tanto sacrifício!

Palavras-chaves: pontos, presidente, Dilma, Rousseff, lágrima, política, Santa, Maria, tragédia
Aileda de Mattos Oliveira
ailedamo@gmail.com
Prof.ª Dr.ª em Língua Portuguesa, membro da Academia Brasileira de Defesa.
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